Quarentena na América Latina: Como as preferências dos consumidores estão mudando? – APAS – Associação Paulista de Supermercados

Quarentena na América Latina: Como as preferências dos consumidores estão mudando?


Desde sua descoberta no fim de 2019, até o seu rápido avanço pelo mundo, o COVID-19 vem causando preocupação. Diante da pandemia, muitos países optaram por fechar fronteiras e orientaram suas populações a evitarem aglomerações e a recorrerem ao isolamento social para impedir o avanço da doença. Tais medidas impactaram diversos setores e segmentos da economia. De acordo com um estudo realizado pela Kerry, multinacional irlandesa com atuação na América Latina há mais de 25 anos, diante de uma situação de isolamento social nunca vivida, os consumidores da América Latina mudaram seus comportamentos de compra e de consumo.

Essa mudança de hábitos repentina tem desafiado a indústria de alimentos e bebidas e principalmente o setor de food service, os quais estão sendo obrigados a buscar novas informações e a se reinventar.

Analisando os maiores mercados da região da América Latina vemos atitudes similares em diferentes culturas. Conhecidos mundialmente por sua simpatia e receptividade, os latinos estão mudando sua forma de comprar entre as mais diversas faixas etárias, acelerando a utilização dos meios on-line para adquirir alimentos e refeições prontas.

Outra tendência do setor de food service que promete ser destaque durante o período de isolamento social, é o conceito de “Dark Kitchen”, ou restaurante fantasma. Trata-se de um estabelecimento que oferece serviços de alimentação apenas para viagem ou entregas. Além de ter um custo operacional menor, sem despesas referentes ao salão, este tipo de restaurante tem um investimento financeiro inicial mais baixo e pode ter mais flexibilidade no menu, adequando-o ao gosto de seu público sempre que necessário. Mais uma facilidade deste modelo de negócio, é que as entregas podem ser feitas diretamente pela empresa ou terceirizada, devido aos diversos aplicativos e serviços de delivery de comida disponíveis no mercado.

Brasil

Houve um aumento significativo na adesão dos brasileiros aos chamados atacarejos e hipermercados onde os consumidores podem encontrar todos os itens de primeira necessidade em um único local, muitas vezes em embalagens maiores. Segundo dados da Kantar, ambos registraram juntos 53% de penetração no consumo de massa e mais de 2,5 milhões de novos lares que aderiram a estes modelos de compras. Em questão de itens classificados como indispensáveis pelos brasileiros, os destaques de aumento de consumo desde as primeiras semanas da quarentena, são: pães industrializados (+52%), linguiças (+16%), sucos prontos (+15%), cervejas (+15%), absorventes higiênicos (+21%) e papel higiênico (+15%). Por outro lado, produtos que antes faziam parte da lista de compras de boa parte da população registraram quedas nas vendas, como os leites fermentados (-21%), iogurtes (-17%), lâminas de barbear (-12%), tintura de cabelo (-4%) e bebidas de soja (-7%).

A relação dos brasileiros com as refeições também mudou, houve a diminuição da preparação de refeições caseiras em detrimento do aumento de deliverys aos finais de semana, opção cada vez mais recorrente. Comparando a primeira semana de março com a segunda, o número de lares que pediram comida aumentou, principalmente por meio de pedidos diretos aos restaurantes e lanchonetes, mas o uso de aplicativos para esta finalidade, também foi alto (19%), segundo Rg Nutri com TechFit. A mesma instituição também mostra que os supermercados registraram 74% no aumento das vendas online entre 16 e 22 de março.

A preferência de consumo no setor de bebidas também está mudando. Segundo da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), com bares e restaurantes fechados devido ao avanço do Coronavírus no País, esse mercado teve uma desaceleração de 52% desde o dia 15 de março. De acordo com a Kantar, em janeiro e fevereiro houve uma variação positiva nas vendas de sucos prontos (+15%), cervejas (+10%) e refrigerantes (+6).

Mexico

Distante territorialmente do Brasil, porém muito próximo em preferência, no México o número de pessoas que pediram refeições via aplicativo já é de 6 em cada 10. Somente no Rappi os pedidos triplicaram e diversos estabelecimentos pararam de cobrar o valor da entrega. No varejo, a venda de alimentos como arroz, feijão e ovos cresceram 400% nas últimas duas semanas. A demanda por produtos enlatados, que possuem mais tempo de validade e que reduzem a necessidade de uma nova compra rapidamente, também aumentou, principalmente sardinha e arenque (155%) e atum (151). Embalagens maiores ou multipacks também tem sido as preferidas pelos consumidores mexicanos.

Portanto, o delivery é o novo modelo operacional para redes de restaurantes, e mesmo estabelecimentos que não usam os aplicativos Uber Eats ou Rappi, atendem pedidos via WhatsApp e Instagram, oferecendo também várias promoções e descontos no valor da entrega.

O número de parceiros em uma das principais plataformas de entrega do país aumentou mais de 250%, e alguns restaurantes implementaram o modelo para viagem, que consiste em fazer pedidos pelo telefone e retirá-los na loja ou no ponto de venda. Nos setores de panificação e confeitaria, algumas empresas locais optaram por um modelo “faça você mesmo”, vendendo os materiais e embalagens para que os clientes possam fazer suas próprias receitas em casa. Algumas marcas também estão oferecendo aulas on-line de padaria e confeitaria em lives no Instagram, enquanto chefes famosos também oferecem aulas online para entreter e estimular os Mexicanos.
Para prolongar a vida útil dos alimentos, as embalagens que antes eram usadas apenas pelas principais marcas agora são usadas por todos os tipos de estabelecimentos, como as de embalagem a vácuo. Para apoiar os restaurantes a manterem seus negócios abertos, uma grande rede de solidariedade foi desenvolvida e as pessoas estão comprando vouchers para usarem quando a crise passar, válidos para todo o ano de 2020. De acordo com Zinklar, os consumidores mexicanos estão comprando não apenas mais unidades de produtos, mas também preferem embalagens maiores ou múltiplas, com preferência por itens nacionais.

América Central, Caribe e Região Andina

Na região central da América Latina, a preferência pelas compras digitais também deixou de ser uma tendência e rapidamente se tornou realidade. De acordo com a Associação de Exportadores e a Câmara de Comércio Digital da Guatemala, no Panamá, Costa Rica e Guatemala, os três primeiros dias de quarentena triplicaram a demanda por pequenas empresas interessadas em atualizar e expandir suas plataformas digitais. Além disso, segundo a Kantar, mais de 25% das pessoas na Colômbia e na Guatemala (acima da média da América Latina) mencionaram que estão comprando e usando mais o canal digital para suas compras.

Apesar do declínio do setor de bebidas em outros países, durante os primeiros dias da crise, produtos como suco de laranja, bebidas sem gás e bebidas em pó tiveram um grande crescimento nas vendas.

Houve também uma mudança nos locais onde as pessoas compram alimentos e bebidas. Eles estão comprando mais em mercados (super e hiper) e drogarias, e menos em estabelecimentos antigos ou menores. O motivo é a percepção de limpeza e segurança. Até 20 de abril, mais de 1000 “pulperías” ou pequenas mercearias foram fechadas na Costa Rica, e essa situação está se repetindo em toda a região.

No setor de alimentos, a oportunidade parece mais latente na entrega de pratos como frango, pizza e hambúrgueres. Além disso, as famílias aumentaram o percentual de gastos com alimentos, especialmente com produtos não perecíveis, frutas e legumes.
Algumas das principais marcas alimentícias estão doando produtos e refeições para equipes médicas e serviços de emergência, como a Cruz Vermelha Colombiana.

No Peru, grandes redes de restaurantes fizeram doações para o banco de alimentos, voluntários e a Marinha.

Na Guatemala e Costa Rica, o delivery tornou-se uma regra para as indústrias de alimentos e bebidas.

Chile

Embora a renda dos Chilenos tenha sido afetada pelo impacto do Covid-19, eles estão aproveitando a oportunidade para dedicar mais tempo à hábitos saudáveis e consumir alimentos de qualidade. Mais da metade da população que participou da pesquisa Customer Trigger disse que as principais prioridades quando se trata de consumo agora são alimentos e produtos de limpeza. O que mostra uma oportunidade ainda maior para produtos com baixo teor de sódio, calorias e açúcar, além de refeições prontas que consideram extratos naturais, molhos e especiarias com apelo fresco.

E o que há de oportunidades em comum nos países da América Latina?

Devido à preocupação constante com a saúde, muitos consumidores mudaram sua percepção e sensibilidade em muitos aspectos. Os produtos que melhoram ou favorecem a saúde imunológica têm um grande potencial de crescimento, já que o medo de ser infectado leva a imunonutrição.

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